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Jurídico 11/08/2018 12:54 Fonte: G1

Fabricante de agrotóxicos é condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a americano que teve câncer

A Justiça americana afirma que a Monsanto sabia que seu herbicida era perigoso; a empresa afirma que vai recorrer.

A companhia Monsanto, gigante da indústria química e do agronegócio, foi condenada pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer.

O jardineiro Dewayne Johnson afirma que sua doença foi causada por herbicidas da empresa.

Em um caso emblemático, um tribunal do júri na Califórnia considerou que a Monsanto sabia que seus herbicidas "Roundup" e "RangerPro", que contém glifosato, eram perigosos e falhou em alertar os consumidores.

O processo foi o primeiro alegando que agrotóxicos com glifosato causam câncer a ir a julgamento.

A Monsanto nega que a substância esteja ligada à doença e afirma que vai recorrer da decisão.

O glifosato é um dos herbicidas mais usados no mundo (Foto: Benoit Tessier/File Photo/Reuters)

O processo é um de 5 mil casos similares em andamento nos EUA.

Johnson foi diagnosticado com um linfoma em 2014. Seus advogados dizem que ele usava o agrotóxico "Ranger Pro", da Monsanto, em seu trabalho em uma escola na Califórnia.

A decisão na Estado possivelmente vai levar a outras centenas de processos contra a Monsanto, que foi recentemente comprada pela alemã Bayer AG.

Empresa estava mal intencionada, diz juri

Depois de um julgamento de oito semanas, os jurados decidiram na sexta que a empresa estava "mal intencionada" e que seus herbicidas contribuíram "substancialmente" para a doença de Johnson.

Dewayne Johnson, diagnosticado com câncer, abraça um de seus advogados após veredito de tribunal em San Francisco (Foto: Josh Edelson/Pool Photo via AP)

O advogado de Johnson, Brent Wisner, disse que o veredito do júri mostra que as evidências contra os agrotóxicos são "esmagadoras".

"Quando você está certo, é muito fácil ganhar", disse ele, que afirmou ainda que a decisão é apenas "a ponta da lança" de futuros processos.

Em uma nota divulgada depois da decisão, a Monsanto diz que "empatiza com Johnson e sua família", mas que vai continuar a "defender vigorosamente seu produto, que tem um histórico de 40 anos de uso seguro".

"A decisão de hoje não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos – e conclusões da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA e de agências regulatórias ao redor do mundo – baseiam a conclusão de que o glifosato não causa câncer, e não causou o câncer de Johnson", disse a empresa.

A controvérsia em relação ao glifosato está longe do fim

Análise de James Cook, correspondente da BBC na América do Norte:

As consequências dessa decisão serão sentidas muito além da sede da Monsanto, no Estado americano de Missouri.

O glifosato é o herbicida mais comum do mundo e a discussão científica sobre sua segurança está longe de estar concluída.

Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, parte da Organização Mundial de Saúde, concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno" para humanos.

No entanto, a EPA (agência ambiental americana) continua a insistir que o glifosato é seguro quando usado com cuidado.

Militantes questionam como a agência chegou a essa conclusão e afirmam que houve envolvimento da indústria da decisão do órgão regulatório.

Alguns democratas chegaram a pedir que o Departamento de Justiça investigue um suposto conluio entre funcionário do governo e a Monsanto.

Na Califórnia, onde um juiz recentemente decidiu que o café tratado com agrotóxicos precisa conter um alerta sobre câncer, o agronegócio entrou na Justiça para evitar esse tipo de alerta para o glifosato, apesar de o Estado listar a substância entre os produtos químicos conhecidos por causar câncer.

Na Europa, a disputa em torno do glifosato também tem sido feroz. O presidente francês Emmanuel Macron está tentando banir a substância apesar da resistência do Legislativo e do fato de que a Comissão Europeia renovou por mais 5 anos a licença para que o herbicida possa ser usado na União Europeia.


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